segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Banzai?

Ontem. Domingo razoavelmente chuvoso, daqueles que você olha pela sua janela e pensa que simplesmente nada vai acontecer no seu dia. Até que podemos tirar alguns pontos positivos. Voltei ao hockey. Por quanto tempo? Não sei ao certo, espero ficar. Tudo depende do meu condicionamento físico, e como meu corpo vai reagir a treinos seguidos, tratando-se de um esporte que força física definitivamente é fator primordial. Perdemos o jogo-treino por 5 a 4. No OT. Faço uma primeira avaliação da minha participação como satisfatória. Não tão boa, porém muito melhor do que eu esperava. Até fiz uma que outra defesa louvável.

À noite, chegando em casa após um capuccino (frio, e sem pretensão de ser frio) na mercearia do Muller, assisti, acompanhado me minha namorada, o filme “Cartas de Iwo Jima”. Trata-se de um filme consideravelmente interessante, dirigido por Clint Eastwood e produzido pelo Spielberg, sobre a tomada da ilha japonesa de Iwo Jima, durante o começo da segunda guerra mundial. Algo interessante, e acredito que pioneiro no cinema, é, a mesma história, contada pelos dois lados, dirigida e produzida pelas mesmas pessoas, porém com atores diferentes. Clint Eastwood também assina “A Conquista da Honra”, filme que mostra a mesma tomada da ilha de “Iwo Jima” desta vez do lado yankee. Devo abrir um parêntesis aqui para relatar minha relativa desconfiança do papel de Clint Eastwood nos bastidores do filme. Terminado o filme, tenho como costume ver os “extras”, para descobrir algumas curiosidades, e o que vejo é o saudoso Clint citando comentários do tipo “Ei, quando você leva o tiro, você tem que cair desse jeito”! Ou algo como, “O general neste momento está sentimental, então deve olhar para baixo!”. Desta maneira, é um tanto previsto, e imaginável, que a maneira de Clint orquestrar o filme se baseia no clichê que fez em toda sua história de cinema: Bang-Bang. Meus aplausos aos roteiristas que fizeram este filme ser um filme tão real.

Enfim. Vamos aos fatos que me fizeram escrever o post. Acredito que pela primeira vez, em todos meus 24 anos, percebi o quanto uma guerra pode ser desgastante para seus dois lados. Vou dar ênfase ao lado japonês, lado que predomina no filme. A ilha de Iwo Jima era praticamente caso perdido do exército japonês, ou seja, a convocação para defender o Japão na ilha era simplesmente pena de morte. A primeira coisa que faz pensar no filme é o a convocação de Saigo, um padeiro de Tóquio, para defender a ilha. O militar bate em sua porta, e junto com ele duas senhoras. Elas congratulam-no e dizem que ele terá a honra de defender o império japonês. Saigo tem a mulher grávida de seis meses em casa. De partida, ele sabe que as chances de voltar são mínimas. Honra de defender um exército que sabe que vai perder, deixando viúva e filhos em casa? Que honra é essa?

Em outro momento do filme, uma parte do exército japonês, já encurralado, reúne-se numa caverna para cometer suicídio. O Major do posto manda todos os soldados se matarem, pois não há mais saída. Sim. Era uma ordem. Você teria que cumprir com a palavra do Major, ou....você seria um desertor. O discurso de despedida foi tocante, e logo após, todos os soldados exclamavam com louvor: Banzai!!! (palavra de lealdade ao império). Todos cumprem o acordo, estourando granadas em si mesmos, menos Saigo. Essa é a parte que mais me impressionou no filme. Pela disciplina japonesa de milhares de anos, advinda dos samurais, soldados derrotados matavam-se de vergonha, após perderem uma batalha. Sim. De vergonha. Me assusta a lavagem cerebral que faziam naquele povo. Lutar por uma terra natal, ainda tudo bem, mas lutar por um império, por um Rei, que sabe Deus onde estaria naquele momento. Quem sabe tomando um saquê com mais 5 mulheres na sala de casa, sequer se importando com os milhares que gritavam emocionados seu nome naquelas cavernas. Estavam morrendo pelo Rei!! Quanta honra? Quanta hipocrisia. Eu não tenho vergonha de perder. Não me importo com minha “honra”. Minha honra seria voltar pra casa e ver minha família. Acredito que o Saigo também pensava assim. Ele e tantos outros “Saigos” que estão no Iraque, Afeganistão, Israel......

Acho que podemos associar isso a tantas outras guerras, tantos outros confrontos. Guerra contra terrorismo, guerra santa.....será? Tudo hipocrisia.

Interesse político? Não. Dinheiro.

Já dizia o System of a Down:

Why don't presidents fight the war?
Why do they always send the poor
?

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