quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Gram se foi. Que pena.

Engraçado que até o momento não tinha achado uma maneira certa de escrever sobre música nesse blog. Primeiro, porque você não acorda e pensa: hoje escreverei sobre música. Você simplesmente senta no computador e vem um click na sua cabeça sobre aquela banda, ou aquele estilo diferente que você tem ouvido. Foi mais ou menos o que aconteceu comigo hoje de manhã. São dias que você sente a música diferente. Posso fazer um comparativo com minha noite de sono. Fazia muito tempo que não dormia bem uma noite. E o estranho é que ela não teve nada de diferencial das outras. Quem sabe, apenas, uma hora a mais de sono, e, essa uma hora a mais pode fazer um grande diferencial pra quem dorme pouco por noite, como eu.

Para com a música, nunca me considerei um grande instrumentista, principalmente pela falta de horas de estudo do instrumento, ocasionada pela falta de tempo. Pelo menos essa é uma boa desculpa que eu posso dar pra dizer que toco mal. Porém, quem me conhece sabe que tenho alguns gostos diferentes, e considero isso como que uma sabedoria para com a música, uma espécie de uma bagagem musical (claro que os vários anos de banda Flying Stoves, Spunk, Parada Obrigatória, Saint Sinner, Sunset Project, TPM e enfim Mutecaos fizeram uma grande diferença). Por muito tempo em Joinville fiquei reconhecido e até considerado “persona non grata” do meio musical por criticar bandas alheias. E digo mais, não só bandas alheias locais, como bandas de todos os gostos e estilos. Realmente é difícil achar alguma coisa que eu goste sem botar defeito. Espero que, todos já perceberam que isso é uma questão de personalidade, e não um ataque pessoal com as demais bandas. O legal é, que à medida que você vai envelhecendo, aquele radicalismo do “som-perfeito-gravado-em-estúdio” vai perdendo sua força na sua cabeça, dando lugar para o “simples, mais legal”, ou “ta meio desafinado, mas a idéia é boa”. Meus próprios parceiros de banda me viam como um cara sempre negativista, criticando locais que íamos tocar, que nosso som estava sempre horrível.....esse tipo de coisa. E isso foi dando espaço para o “Nossa, que música legal que fizemos, ou.......que pessoal bacana que foi no show, ou, meu, essa gravação amadora de um show direto da mesa ficou muito boa!”. Passei a dar gosto à sensação, ao invés da clareza e perfeição.

Acho que um bom exemplo disso é minha admiração por algumas bandas brasileiras, que antes eram vistas com desdém. Posso dizer que fui ver o Roupa Nova e gostei, adoro Milton Nascimento, Beto Guedes, Flavio Venturini e 14 bis. Até mesmo posso reconhecer alguns cantores sertanejos. Mas o ápice mesmo veio com o Los Hermanos. Banda que a maioria lembra por Anna Julia e o estilo barbudo-de-roupas-brega, pra mim foi um dos maiores guias da minha personalidade musical. É a única banda brasileira que me considero fã à altura de bandas internacionais como Jethro Tull, ou Yes, ou Death Cab For Cutie. Entenda-se fã aquele que canta quase todas as músicas, ouve constantemente, vai a shows, etc. A musicalidade, a mistura de diversos estilos, principalmente o samba canção, fez deles precursores de um movimento de bandas no mesmo estilo. Vemos hoje Mombojó, Moptop e finalmente Gram com estilos que não são uma cópia, mas sim sons descendentes misturados. A Gram, por exemplo, era uma banda baseada em covers de Beatles, que começou a aparecer na mídia com uma obra prima de música “Você pode ir na janela”. O mais legal, é que raramente um artista consegue traduzir uma grande música com um bom videoclipe. Geralmente os videoclipes deixam a desejar. Mas no caso da Gram, o videoclipe era ainda melhor! Tratava-se da história de um gato, que tinha 7 vidas e se apaixonava por uma gatinha (literalmente). O resultado, ainda que meio dramático (assinatura do Gram), é um puro exemplo de como ainda tem gente boa nessa indústria, já praticamente tomada pelos “50 cents” e “Tati quebra barracos.”

Embora a notícia tenha sido divulgada à um mês atrás, descobri hoje, e fiquei muito triste com o fim da Gram (segundo eles por motivos pessoais). Espero que este movimento, tal como o “dar-um-tempo” do Los Hermanos, não traga um efeito de crise a esse mercado “gravação mais ou menos, idéia boa”, que tem tudo pra crescer, e, com a internet do jeito que está, se abrir cada vez mais.

Enquanto isso, vamos vivendo da nostalgia.


Um comentário:

Guiguiu disse...

Pow, triste saber q a Gram acabou. Mas muito boa a reflexão. Tenho escutado bastante Death Cab For Cutie também, muito bom mesmo!

Abrs.