terça-feira, 25 de setembro de 2007

Zeitgeist

Nesses últimos dias tenho feito coisas muito estranhas. De súbito, alguma parte de mim, ou algum efeito químico em meu corpo está tentando desvendar as coisas mais misteriosas do universo. Daí começam a acontecer fenômenos estranhos, como, uma pessoa relativamente cética como eu ler o horóscopo diariamente, e no fim do dia, fazer um balanço se aquela “previsão” estava correta ou não. E o pior, é que não é só o horóscopo, também entram no balaio todos aqueles joguinhos em flash do Terra Esotérico, que na bem da verdade só servem como auto-ajuda, levantando a estima da pessoa, no exemplo “Você é uma pessoa querida, e está em um dia de sedução e romantismo”. Na hora que a pessoa lê uma coisa dessas, já melhora sua auto estima: “Vou chamar aquela gatinha pra sair hoje de noite” ou “Vou ligar para aquele amigo e pedir desculpas por algo que fiz, há muito tempo”. Entendo perfeitamente que posso considerar este meu relato um total fracasso de qualidade científica, pois não tenho absolutamente nenhum conhecimento de causa pra falar de astrologia. A questão é, se você abrir um horóscopo e ler qualquer signo, independente de qual você é, todos vão se encaixar com alguma descrição sua, ou algum comportamento que você tenha. Todos são tão abertamente escritos, que com um simples jogo de palavras, a pessoa pode acabar acreditando em coisas que na bem da verdade não dizem nada, ou melhor, dizem a mesma coisa pra todos os signos.

Que o universo inteiro está interligado, mesmo que por energia, claro que eu acredito, mas temos que ter cuidado em tudo que lemos, e usar em nossa vida apenas as idéias boas, não o charlatanismo. Todo mundo tem épocas em sua vida de querer prever o futuro, ou buscar o entendimento das coisas. A dica que eu dou, é, leia idéias diferentes, e entenda todos os pontos de vista. Assim, menos certeza você vai ter, e mais intelectual você será.

“Só sei que nada sei”.

Conheci o que chamo de teoria Zeitgeist por um amigo americano, Randy, estudante de psicologia. A teoria Zeigeist nada mais é do que uma teoria baseada em conspiração. A única diferença é que não é fajuta (como por exemplo a Flat Earth Society, na qual os caras puramente acreditam que a terra é plana), e tem, ou tenta, ter bases científicas. Essa teoria, na verdade é um filme de duração de duas horas, em flash, (www.zeitgeistmovie.com), e está dividido em 3 partes: A primeira, que considero fascinante, e uma das melhores coisas que vi recentemente, fala da história da religião e como uma interpretação mal intencionada das adorações do Sol trás dúvidas sobre a existência de Jesus Cristo na Terra. A segunda, fala de uma conspiração no 9/11 (estilo Farenheit 9/11), e a terceira, neste ponto já um pouco pastelão, fala sobre o domínio dos bancos do mundo. Vou publicar a primeira parte, que é a mais convincente, e por este prisma faz total sentido.

Enquanto continuo neste estado de busca por idéias e autoconhecimento, continuo interessado em todo tipo de teoria. Meu ponto de vista aqui, apenas para deixar claro, não é evidenciar o que é certo e o que é errado na religião, (isto é da fé e crença de cada um), mas sim ter conhecimento de suas diversas teorias e ramificações.


sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Goodbye Alice in Wonderland

Ontem mesmo eu tinha a intenção de escrever aqui, aí acabou dando preguiça e eu deixei pra hoje. Tinha tudo bem estruturado pra um post sobre a música e tal, e pensei que não ia mais vir na cabeça do jeito que eu estava pensando ontem. No fim, veio quase tudo igual. Tive muitas experiências com isso fazendo músicas. Quando a música já estava quase toda pronta, eu a tocava no violão umas 15 vezes, pra não esquecer. Não sei por que nunca gastei míseros 10 reais pra ir ao camelô e comprar um gravadorzinho. Enfim, dias depois, quando eu ia tocar a música, óbvio, eu esquecia. A música sim, acabava saindo, as vezes melhor, as vezes pior do que eu tinha planejado, e sempre com alguma coisa diferente. O interessante da criação é isso. O novo. Hoje vejo que era bacana não gravar meus ensaios e músicas em composição, pra poder recriá-los com alguma coisa diferente, quem sabe alguma coisa que estava faltando na primeira vez.

Sobre esse tentar várias vezes, lembrei de uma artista (musicista, poeta, defensora das causas naturais, meio Phoebe Buffet do friends) que tem mais ou menos esse estilo. A Jewel. Conheci a música da Jewel pela minha irmã, isso a mais de 10 anos atrás, quando trouxe pra ela dos EUA o CD (ainda desconhecido no Brasil) “Pieces of You”. Tratava-se de uma garota de 19 anos que fazia músicas simplesmente pra ela, violão puro, simplicidade, limpeza sonora, músicas provavelmente sobre supostos amores passados. Lembro que em 1998 essa menina já era conhecida no Brasil e já tinha alguns seguidores, dentre eles algumas amigas minhas da classe. Ela lançou o álbum “Spirit”,disco que consagrou sua ainda pequena carreira. E assim deu-se. Ela, rodou o mundo inteiro praticamente, tocou em tudo que é lugar, e nunca deixou esse estilo “menina maluquinha” de ser, sempre irreverente, e dando opiniões um tanto excêntricas. Pra mim, bom, eu já tocava violão nessa época. Lembro-me de ter feito duetos memoráveis com minha irmã, ou incluir alguns sucessos do “Spirit” no meu repertório de “luais”.

Depois disso fiquei muito tempo sem ouvir falar da Jewel. Se não me engano ela lançou um ou dois discos depois disso, sem abrangência mundial que os outros tinham. Então, foi na semana passada, que fiquei sabendo que a moça havia lançado mais um disco, e mais uma vez fui atrás. O resultado é “Goodbye Alice in Wonderland”, que me deixou muito feliz, pois a cada dia, vejo que esses artistas são como nós, carne e osso, e têm os mesmos métodos de composição, a mesma musicalidade. Só muda o endereço. A Jewel, agora um baita mulherão, continuou sempre com o mesmo estilo, a mesma assinatura, porém com alguma coisa diferente. Alguma coisa melhor ali, outra pior aqui.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Ninguém mais ouve música


No último final de semana tive uma experiência muito bacana revendo pessoas que influenciaram muito minha personalidade musical. Meus dois amigos e irmãos de palco Guiguiu e Julay, e o pai do Guiguiu, o Sr. Edson, pessoa que sempre considerei como um guru espiritual da banda. Além de guiar nossos caminhos, influenciando sempre positivamente nossas composições e técnicas musicais, ele foi a pessoa responsável por sempre manter a banda unida e motivada, com um espírito sempre alegre, e sempre disposto a ensinar e aprender algum pensamento filosófico, ou até mesmo interplanetário. Interplanetário porque, quase sempre, (e nesse quase entenda-se 95% das vezes) o papo iria parar em assuntos como o universo e constelações. Essas reuniões, geralmente se proporcionavam na casa mesmo do Sr. Edson, com todos sentados em volta de uma vitrola, num quartinho pequeno e improvisado, porém sempre aconchegante, chamado Toca do Vinil. A decoração do quartinho abordava temas filosóficos, que depois da quinta cerveja já se tornavam inspirações para discussões ainda mais profundas. Lembro-me da vez que, com aquele pôster do sistema solar, calculamos a exata proporção entre os planetas, em menor escala. Por aquele sistema, o (na época) planeta Plutão, que era apenas um pontinho no pôster, deveria ficar a 16km do sol, naquela escala. Claro que o cálculo tem qualidade questionável, devido ao nível de álcool nas veias que tínhamos, mas lembro que ficamos satisfeitos com o resultado. Lembro-me também do dia em que discutíamos a ignorância do holocausto, quando o violino de Itzaak Pearlman nos emocionou profundamente, ao ouvir um solo tão triste, em uma das músicas da trilha de “A Lista de Schindler”. Parecia que nós sentiamos na pele o que aquele povo passou.

Como todas as outras vezes, neste fim de semana a conversa da toca passou por vários assuntos, perfumes, remédios medicinais, ervas medicinais, árvores e afins e teve seu ponto forte num simples aspecto. Ouvir música. Conclui que ninguém mais hoje em dia, ouve música. Minha opinião foi aceita em unânime pelos outros participantes. E acredito que o motivo é simples, neste novo mundo, regido pela internet, a música ficou puramente digital, simples, computadorizada, embutida. As empresas de software dominam essa indústria, com programas como Itunes, e Media Player 11, onde o usuário tem verdadeiras Jukeboxes em casa, com direito a interações virtuais com encarte dos cds e afins. Ou seja, até o manuseio de um cd hoje é virtual. Não vejo isso como algo repugnante, pelo contrário, como usuário que sou, vejo isso com fascínio, vindo de uma geração que um simples disco com 10 músicas tinha 30 cm. Hoje, tenho 80 cds virtuais.

O que me deixa triste é que não contamos mais músicas, contamos espaço. Por exemplo, você não tem uma coleção de 1200 músicas, você tem 7 giga. Músicas não são mais unidades de valor, o que vale agora é a grandeza. Antes, ouvir música era um passatempo, as pessoas se reuniam, debatiam o que iriam ouvir, procuravam aquele bolachão (era difícil encontrar quando coleções eram muito grandes), e ouviam. Ficavam em volta da vitrola, prestando atenção apenas na música, assim a musicalidade aflorava mais fácil, as pessoas era mais calmas, quem sabe, mais felizes. Hoje, a música te acompanha, você vai pro trabalho ouvindo no carro, ou no ônibus no seu Ipod vídeo, ou no mp3 player......enfim. Você não ouve os detalhes, a música passa na sua cabeça enquanto você faz milhares de outras coisas, e assim não tem significado pra você, não tem emocional, não é passatempo. Não tem mais “ouvir música”.

Como disse, não condeno nenhum progresso virtual, pelo contrário, sou grande fã. Porém temos que pensar que a musicalidade está na cabeça de cada um.

E espero que possamos mudar isso.