segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Perfume: Ótima fotografia, roteiro horrível


Pra começar, o post vai conter spoiler do dito filme “Perfume”. Se você não viu o filme e ainda quer ver, não leia esse post.

Ontem mesmo, dia agradável, daqueles que de 24 horas, você dorme umas 15, resolvi, acompanhado de minha namorada, colocar no DVD o esperado, e muito comentado filme. O DVD nunca mais será o mesmo. O filme se passa no século XVIII, onde nesce Jean-Baptiste Grenoille, filho de uma mulher que trabalhava num mercado de peixes, numa Europa afetada pela peste. Vale lembrar que, todas pessoas ligadas ao Grenoille acabam morrendo no filme. Isso que podemos considerar pé frio. Mãe: Enforcada porque negligenciou o nascimento do filho (a cena é relativamente forte, porém não muito convincente e bem nojenta). Dona do orfanato pra onde o cara foi: após vender o menino já crescido por uma merreca, é assaltada e morre com uma facada no pescoço. O ogro (não achei palavra mais cabível) para quem o Grenoille trabalhava no mercado de peles de animais: morre atropelado por uma carruagem após vende-lo, por uma merreca para o perfumista. (Isso mesmo, atropelado por uma carruagem). Enfim, o perfumista, vivido por Dustin Hoffman: a “favela” onde viveria um suposto famoso antigo perfumista simplesmente desaba, uma noite após a saída de Grenoille dali. Ou seja, depois de todos estes momentos você já tem na sua cabeça. “Ok diretor, entendi que o cara venceu a morte em todos seus sentidos, seja por sorte ou talento”. Clichê no mínimo.

Vou abrir um parêntesis sobre o Dustin Hoffman. Ator consagrado do cinema americano, tristemente não tem passado de ator coadjuvante em filmes de qualidade questionável, com fotografias e quem sabe roteiros até consideráveis, mas direção e produção horríveis, dignas de cinema lado B. Concluo que, ou ele anda em más companhias, ou já virou carta fora do baralho em hollywood, e está considerado ultrapassado. Lembrando de sua atuação no filme “A esfera”, fico triste em saber onde estão os rumos da carreira desse cara que considero como Pacino, ou De Niro.

Voltando para o dom do Grenoille. O cara nasce com um poder único, que é o olfato, pelo visto melhor que animais, e em certos momentos do filme parece ter um alcance de no mínimo uns 50 km. (nonsense). Sua busca eterna é uma maneira de guardar o cheiro das coisas, coisas aqui, que apenas ele sente o odor, tal como ferro, cobre, gatos e cia. Quando jovem, ele descobre, o perfume perfeito, vindo de jovens virgens e o desejo de manter esse cheiro o faz um maluco tomado pelos experimentos, matando todas as jovens e fazendo perfumes concentrados delas. Ele comete assassinatos em série, por fim matando a bela Laura, filha de um poderoso político. Esse político acaba botando as mãos no nosso.....herói....e fazendo uma que considero a pior cena do cinema. Vou delatá-la:

Grenoille sai do tanque de água, sendo torturado por asfixia, e o pai da guria exclama: ........quando você for morto, todos.....vão...cansar.....de....seus....gritos....e....vão...sair...dali....e....eu....ficarei...perto....de.....você....sentado.....e....caminharei....no.....seu.....sangue....blá.....blá.....

O intervalo de cada palavra é simplesmente patético, e atuação do cara, (com uma paciência de Jó, para uma pessoa que acabou de perder a filha) é digna dessas de novelas da Record. Triste. Muito triste isso.
O filme se encaminha para um final. Grenoille será açoitado até a morte. Porém, quando este é tirado do calabouço, já tem o perfume das virgens em suas mãos, e, hipnotizando tudo e todos, sai como um rei em uma carruagem, chegando ao palco principal e deixando todos de joelhos, sentindo o cheiro do perfume perfeito. Até ali você pensa, “legal, o cara realmente fez o perfume perfeito, o negócio mágico, a droga do amor”. De súbito, as pessoas se entreolham, e pasmem, começa uma “suruba generalizada”. Neste momento o filme já foi por água abaixo. Todo mundo peladão, fazendo.....safadezas. E o pior ainda estava por vir. Quando pensei que não tinha mais como afundar, nossos diretores acharam uma maneira. Grenoille caminha para o lugar onde nasceu, derrama todo o perfume em si, e literalmente, é comido pelos mendigos e maltrapilhos da rua.

Me surpreendi. Quando pensei que o filme não conseguiria terminar pior, errei. Os caras realmente se superaram. Deixaram todas as telenovelas, ficção científica, tudo, no chinelo. Acho que o cinema não é mais como antigamente, onde os corações valentes, ou as asas indomáveis faziam-nos brincar de heróis. Imagino do que as crianças brincam hoje. Certamente não é de espalhar perfume e realizar um sexo grupal em grande escala.

Terminou o filme. O cara foi comido. Dá pra acreditar nisso? O cara foi comido!

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Não assinem a Net Virtua.

Gosto de usar este blog para escrever coisas sobre o meu cotidiano, e como muitos sabem, muitas coisas no meu cotidiano não tem dado certo ultimamente. Mesmo sendo um cara do “frio”, acho que preciso um pouco de verão na minha vida. Clima agradável, sol, natureza, calor. Uma série de eventos têm me deixado meio cabisbaixo, mas claro que devo admitir que poderia ser pior.

O problema dos últimos dias é a net virtua. Pode ser que eu seja chato, e acho que sou mesmo, mas me sinto completamente lesado com o atendimento e suporte dos caras. Estou com um problema de lentidão há cerca de dois meses, e ainda não resolveram. Ainda ontem descobri o traffic shaping. Pra quem não sabe, os malandros simplesmente fecham sua porta de torrent e p2p. Não. Eu não utilizei meu limite de 20 GB ainda. Claro que há uma discussão filosófica sobre o p2p e a pirataria, mas isso eu deixo pra um outro post.

Um exemplo do maravilhoso atendimento foi quando ontem mesmo liguei pra lá reclamando que tinham fechado minha porta de p2p. A atendente (que parecia que recém tinha começado a trabalhar lá) não sabia o que era torrent, p2p, banda, nada. Ou pelo menos se fez de desentendida. Falou que ia pedir pro técnico me ligar ontem. O técnico não ligou. (Pra variar).

A questão é a seguinte. Admito que a internet simplesmente comanda meu dia a dia e meu lazer em casa. Hoje praticamente todas as coisas que eu faço no meu dia estão relacionadas com computadores e internet. Sem ela, fico sem música, sem filme, sem baseball, sem hockey, sem análise técnica. Entendo que realmente as operadoras de internet têm encontrado problemas técnicos, a exemplo da virtua; mas como consumidor, não devemos deixar esse tipo de coisa passar. Vamos denunciar? Vamos. Pra quem? Procon? Até posso, e vou tentar, mas tenho minhas dúvidas que vai adiantar alguma coisa. Entrar na justiça? Ok. Pago uma fortuna pra advogado e não ganho absolutamente nada, fora que demoraria uns 6 anos pra termos um veredicto. Anatel? Chega até ser engraçado. Você já viu alguma coisa do governo funcionar? Enfim, estou fadado a ficar com um serviço picareta. E não tenho nem pra quem reclamar.

Segue um pequeno vídeo sobre neutralidade dos provedores. Acho que explica bastante coisa.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Gram se foi. Que pena.

Engraçado que até o momento não tinha achado uma maneira certa de escrever sobre música nesse blog. Primeiro, porque você não acorda e pensa: hoje escreverei sobre música. Você simplesmente senta no computador e vem um click na sua cabeça sobre aquela banda, ou aquele estilo diferente que você tem ouvido. Foi mais ou menos o que aconteceu comigo hoje de manhã. São dias que você sente a música diferente. Posso fazer um comparativo com minha noite de sono. Fazia muito tempo que não dormia bem uma noite. E o estranho é que ela não teve nada de diferencial das outras. Quem sabe, apenas, uma hora a mais de sono, e, essa uma hora a mais pode fazer um grande diferencial pra quem dorme pouco por noite, como eu.

Para com a música, nunca me considerei um grande instrumentista, principalmente pela falta de horas de estudo do instrumento, ocasionada pela falta de tempo. Pelo menos essa é uma boa desculpa que eu posso dar pra dizer que toco mal. Porém, quem me conhece sabe que tenho alguns gostos diferentes, e considero isso como que uma sabedoria para com a música, uma espécie de uma bagagem musical (claro que os vários anos de banda Flying Stoves, Spunk, Parada Obrigatória, Saint Sinner, Sunset Project, TPM e enfim Mutecaos fizeram uma grande diferença). Por muito tempo em Joinville fiquei reconhecido e até considerado “persona non grata” do meio musical por criticar bandas alheias. E digo mais, não só bandas alheias locais, como bandas de todos os gostos e estilos. Realmente é difícil achar alguma coisa que eu goste sem botar defeito. Espero que, todos já perceberam que isso é uma questão de personalidade, e não um ataque pessoal com as demais bandas. O legal é, que à medida que você vai envelhecendo, aquele radicalismo do “som-perfeito-gravado-em-estúdio” vai perdendo sua força na sua cabeça, dando lugar para o “simples, mais legal”, ou “ta meio desafinado, mas a idéia é boa”. Meus próprios parceiros de banda me viam como um cara sempre negativista, criticando locais que íamos tocar, que nosso som estava sempre horrível.....esse tipo de coisa. E isso foi dando espaço para o “Nossa, que música legal que fizemos, ou.......que pessoal bacana que foi no show, ou, meu, essa gravação amadora de um show direto da mesa ficou muito boa!”. Passei a dar gosto à sensação, ao invés da clareza e perfeição.

Acho que um bom exemplo disso é minha admiração por algumas bandas brasileiras, que antes eram vistas com desdém. Posso dizer que fui ver o Roupa Nova e gostei, adoro Milton Nascimento, Beto Guedes, Flavio Venturini e 14 bis. Até mesmo posso reconhecer alguns cantores sertanejos. Mas o ápice mesmo veio com o Los Hermanos. Banda que a maioria lembra por Anna Julia e o estilo barbudo-de-roupas-brega, pra mim foi um dos maiores guias da minha personalidade musical. É a única banda brasileira que me considero fã à altura de bandas internacionais como Jethro Tull, ou Yes, ou Death Cab For Cutie. Entenda-se fã aquele que canta quase todas as músicas, ouve constantemente, vai a shows, etc. A musicalidade, a mistura de diversos estilos, principalmente o samba canção, fez deles precursores de um movimento de bandas no mesmo estilo. Vemos hoje Mombojó, Moptop e finalmente Gram com estilos que não são uma cópia, mas sim sons descendentes misturados. A Gram, por exemplo, era uma banda baseada em covers de Beatles, que começou a aparecer na mídia com uma obra prima de música “Você pode ir na janela”. O mais legal, é que raramente um artista consegue traduzir uma grande música com um bom videoclipe. Geralmente os videoclipes deixam a desejar. Mas no caso da Gram, o videoclipe era ainda melhor! Tratava-se da história de um gato, que tinha 7 vidas e se apaixonava por uma gatinha (literalmente). O resultado, ainda que meio dramático (assinatura do Gram), é um puro exemplo de como ainda tem gente boa nessa indústria, já praticamente tomada pelos “50 cents” e “Tati quebra barracos.”

Embora a notícia tenha sido divulgada à um mês atrás, descobri hoje, e fiquei muito triste com o fim da Gram (segundo eles por motivos pessoais). Espero que este movimento, tal como o “dar-um-tempo” do Los Hermanos, não traga um efeito de crise a esse mercado “gravação mais ou menos, idéia boa”, que tem tudo pra crescer, e, com a internet do jeito que está, se abrir cada vez mais.

Enquanto isso, vamos vivendo da nostalgia.


segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Banzai?

Ontem. Domingo razoavelmente chuvoso, daqueles que você olha pela sua janela e pensa que simplesmente nada vai acontecer no seu dia. Até que podemos tirar alguns pontos positivos. Voltei ao hockey. Por quanto tempo? Não sei ao certo, espero ficar. Tudo depende do meu condicionamento físico, e como meu corpo vai reagir a treinos seguidos, tratando-se de um esporte que força física definitivamente é fator primordial. Perdemos o jogo-treino por 5 a 4. No OT. Faço uma primeira avaliação da minha participação como satisfatória. Não tão boa, porém muito melhor do que eu esperava. Até fiz uma que outra defesa louvável.

À noite, chegando em casa após um capuccino (frio, e sem pretensão de ser frio) na mercearia do Muller, assisti, acompanhado me minha namorada, o filme “Cartas de Iwo Jima”. Trata-se de um filme consideravelmente interessante, dirigido por Clint Eastwood e produzido pelo Spielberg, sobre a tomada da ilha japonesa de Iwo Jima, durante o começo da segunda guerra mundial. Algo interessante, e acredito que pioneiro no cinema, é, a mesma história, contada pelos dois lados, dirigida e produzida pelas mesmas pessoas, porém com atores diferentes. Clint Eastwood também assina “A Conquista da Honra”, filme que mostra a mesma tomada da ilha de “Iwo Jima” desta vez do lado yankee. Devo abrir um parêntesis aqui para relatar minha relativa desconfiança do papel de Clint Eastwood nos bastidores do filme. Terminado o filme, tenho como costume ver os “extras”, para descobrir algumas curiosidades, e o que vejo é o saudoso Clint citando comentários do tipo “Ei, quando você leva o tiro, você tem que cair desse jeito”! Ou algo como, “O general neste momento está sentimental, então deve olhar para baixo!”. Desta maneira, é um tanto previsto, e imaginável, que a maneira de Clint orquestrar o filme se baseia no clichê que fez em toda sua história de cinema: Bang-Bang. Meus aplausos aos roteiristas que fizeram este filme ser um filme tão real.

Enfim. Vamos aos fatos que me fizeram escrever o post. Acredito que pela primeira vez, em todos meus 24 anos, percebi o quanto uma guerra pode ser desgastante para seus dois lados. Vou dar ênfase ao lado japonês, lado que predomina no filme. A ilha de Iwo Jima era praticamente caso perdido do exército japonês, ou seja, a convocação para defender o Japão na ilha era simplesmente pena de morte. A primeira coisa que faz pensar no filme é o a convocação de Saigo, um padeiro de Tóquio, para defender a ilha. O militar bate em sua porta, e junto com ele duas senhoras. Elas congratulam-no e dizem que ele terá a honra de defender o império japonês. Saigo tem a mulher grávida de seis meses em casa. De partida, ele sabe que as chances de voltar são mínimas. Honra de defender um exército que sabe que vai perder, deixando viúva e filhos em casa? Que honra é essa?

Em outro momento do filme, uma parte do exército japonês, já encurralado, reúne-se numa caverna para cometer suicídio. O Major do posto manda todos os soldados se matarem, pois não há mais saída. Sim. Era uma ordem. Você teria que cumprir com a palavra do Major, ou....você seria um desertor. O discurso de despedida foi tocante, e logo após, todos os soldados exclamavam com louvor: Banzai!!! (palavra de lealdade ao império). Todos cumprem o acordo, estourando granadas em si mesmos, menos Saigo. Essa é a parte que mais me impressionou no filme. Pela disciplina japonesa de milhares de anos, advinda dos samurais, soldados derrotados matavam-se de vergonha, após perderem uma batalha. Sim. De vergonha. Me assusta a lavagem cerebral que faziam naquele povo. Lutar por uma terra natal, ainda tudo bem, mas lutar por um império, por um Rei, que sabe Deus onde estaria naquele momento. Quem sabe tomando um saquê com mais 5 mulheres na sala de casa, sequer se importando com os milhares que gritavam emocionados seu nome naquelas cavernas. Estavam morrendo pelo Rei!! Quanta honra? Quanta hipocrisia. Eu não tenho vergonha de perder. Não me importo com minha “honra”. Minha honra seria voltar pra casa e ver minha família. Acredito que o Saigo também pensava assim. Ele e tantos outros “Saigos” que estão no Iraque, Afeganistão, Israel......

Acho que podemos associar isso a tantas outras guerras, tantos outros confrontos. Guerra contra terrorismo, guerra santa.....será? Tudo hipocrisia.

Interesse político? Não. Dinheiro.

Já dizia o System of a Down:

Why don't presidents fight the war?
Why do they always send the poor
?

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Desenhos que dão medo

Final de tarde, o escritório com pouca gente, e eu quando tenho um tempinho a mais, sempre entro no You Tube pra dar uma olhada em clipes de música. Não existe nenhum critério de seleção. A idéia é botar pra tocar o que “dar na telha”.
Só que ontem foi sinistramente diferente. Entrei no site, e fiquei olhando todas as pequenas janelinhas de vídeos que estavam sendo executados no momento, estes que, pela primeira vez, pareciam tentadores a serem executadas sem o search. O que geralmente é raro pois nesses quadros sempre aparecem vídeos amadores ridículos.

Desta vez não foi muito diferente. Porém, o vídeo era de uma banda sueca, que o Neto havia me apresentado há alguns meses. Tratava-se de Peter Bjorn and John, featuring Victoria Bergsman da banda The Concretes, com a música Young Folks. Na janelinha ainda na primeira tela do You Tube, se via um desenho, daqueles beeeem clássicos, estilo anos 60.

Cliquei. O resultado foi traumático. Não pela música. Pela animação. Uma seqüência de cenas e movimentos com traços dos personagens muito esquisitos. Como se no mínimo eles estivessem sob efeito de algum entorpecente. A menina então, simplesmente me deu medo. Lembrei das épocas de criança, quando eu tinha medo de alguns quadrinhos, simplesmente pelo olhar satânico de seus personagens. Parecia que queriam me hipnotizar.

Saí do escritório ainda pensando naquele seu pescoço deslocado e a cara com olhar vidrado. Quando a banda entrou em cena, o cenário ficou pior ainda. O responsável pelo contrabaixo não se mexe, e o baterista, esse sim, está no LSD.

A música. Bem, a música é boazinha. E fica bastante na cabeça. Porém, com certeza vou me lembrar na próxima vez de dar o search e minimizar o You Tube.